Fotogravura: etapas do processo

Esta descrição das etapas do processo da fotogravura não pretende ser um manual, porque para estabelecer os tempos, temperaturas e alguns procedimentos é necessário verificar as indicações do fabricante da gelatina e muitas vezes adaptá-las às condições do local de trabalho.
Veja também os posts a história resumida da Fotogravura” e como “identificar uma fotogravura.

Procedimento da fotogravura

1. Tratamento da chapa de cobre: Polimento e chanfro. A placa deve ser limpa e desengordurada. Utiliza-se vinagre e sal para desoxidar e carbonato de cálcio e álcool para desengordurar.

Fazendo o chanfro. © Atelier Estrela Brasil Oriente
Polindo a placa. © Atelier Estrela Brasil Oriente
Limpeza da placa. @ Luis Pavão

2. Aplicação do breu: nesta etapa é importante usar máscara e um sistema de exaustão. Na caixa de breu o pó é revirado e suspenso. Os grãos maiores e mais pesados caem primeiro. O tempo de espera antes de colocar a chapa vai definir o tamanho do grão da imagem. A placa é então é colocada e os grãos suspensos se depositam sobre ela. A placa é retirada da caixa e o breu é aquecido com uma chama para derreter e aderir.

modelo de caixa de breu
Adesão do breu com calor @ Luis Pavão

3. Gelatina – sensibilização: Para tornar a gelatina fotossensível, ela é mergulhada numa solução de bicromato de potássio. Nesta etapa é necessário trabalhar numa penúmbra. Depois do banho a gelatina fica pendurada num varal para escorrer e secar. Para manipular o bicromato de potássio é recomendado o uso de luvas de nitrilo e para manipular a gelatina (antes da sensibilização) luvas de algodão, pois a gordura das mãos pode interferir na adesão e na revelação.

Folha de gelatina para fotogravura. © Luis Pavão
Gelatina imersa no bicromato.

4. Gelatina – exposição por contato: A gelatina e o diapositivo (imagem positiva em transparência) são expostos à luz. Neste momento as áreas da gelatina que receberem maior incidência de luz, por estarem em contato com áreas menos densas do diapositivo, irão endurecer, tornando-se insolúveis. Um diapositivo para fotogravura pode ter uma gradação grande de densidades, e esses tons irão provocar reações graduais neste endurecimento da gelatina. É importante, no entanto, produzir um diapositivo com densidades adequadas para conseguir traduzir os tons na imagem impressa. Recomenda-se uma primeira gravação de uma escala de cinzas para servir de base para controlar essas densidades e contrastes.

Prensa a vácuo da ECA-USP com lâmpada U.V. © Atelier Estrela Brasil Oriente
Exposição a partir de diapositivo © Atelier Estrela Brasil Oriente

5. Adesão da Gelatina na Placa: É necessário usar luvas de nitrilo. A adesão é feita em uma bandeja com água destilada ou deionizada a 15ºC. A placa é fica imersa no fundo da bandeja e delicadamente a gelatina é colocada virada para baixo. Num primeiro momento a gelatina fica flutuando até que ela amoleça. Então a gelatina é empurrada para encostar na placa. Quando a gelatina tocar a placa ela não poderá mais ser movida, porque isso causará danos ao breu e à própria gelatina. Após o tempo total dessa imersão, a placa com a gelatina é retirada da água com cuidado para que a gelatina não se movimente. Fora da água utiliza-se um limpa-vidros (rodinho) para retirar o excesso de água e um perfex para pressionar a adesão, principalmente nos cantos e bordas.

Adesão na água. © Luis Pavão
Gelatina aderida. © Atelier Estrela Brasil Oriente

6. Revelação: Procedimento em água quente corrente no qual o papel de suporte da gelatina se desprende e toda a gelatina que não endureceu no processo de exposição vai se dissolver na água junto com todo o bicromato de potássio. Não se deve ultrapassar 46ºC. Neste momento a gelatina está encharcada e muito sensível a qualquer abrasão, a própria pressão da água pode lhe causar danos. Quando a gelatina estiver ‘limpa’, sem manchas, com a imagem nítida e a água totalmente translúcida, deve-se baixar a temperatura da água gradualmente até que se chegue a 15ºC. Retirar da água. Neste momento já é possível observar o relevo na gelatina, nas áreas em que ela estiver mais fina a gravação será mais profunda e produzirá as baixas luzes na imagem impressa.

© Luis Pavão
© Luis Pavão

7. Vedação: As bordas da gelatina, ao secarem, são vedadas com goma laca. O verso da placa pode ser vedado com plastico adesivo (contact) e para delinear a margem da imagem usa-se fita adesiva tipo durex.

Gelatina ainda molhada. © Luis Pavão
Vedação com goma laca. As alças de fita-crepe facilitação o processo de gravação. © Luis Pavão

8. Gravação: A chapa deve esperar de 8 a 36 horas, preferencialmente em local com umidade e temperatura controlados. A gravação é feita em banhos com soluções de percloreto de ferro (entre 37º e 45º baumé). O tempo em cada solução pode variar. Recomenda-se fazer uma primeira gravação de uma escala tonal de cinzas para definir os tempos de gravação dos tons e o tempo máximo total de gravação. Para terminar a gravação, interrompe-se o processo com água. Uma lavagem com água quente irá eliminar toda a gelatina.

Garrafas de percloreto de ferro em diferentes gradações. © Luis Pavão
Inicio da gravação – o mordente atingiu apenas a gelatina. © Luis Pavão
Gravação – mordente atingiu o cobre. © Atelier Estrela Brasil Oriente

9. Limpeza: Toda a gelatina, goma laca, adesivos e o breu são removidos com álcool e estopa.

Remoção das vedações. © Luis Pavão
Remoção da goma laca com álcool. © Luis Pavão

10. A matriz está pronta para ser entintada e impressa seguindo os métodos convencionais de impressão de uma água tinta.

Entintagem. @ Luis Pavão
Entintagem – limpeza. @ Atelier Estrela Brasil Oriente
Impressão. @ Luis Pavão
Impressão. @ Luis Pavão
Fotogravura e sua matriz – imagem do Walter Firmo gravada pelo Atelier Estrela Brasil Oriente.

 

Na foto de destaque, no alto do post, o mestre impressor Valdir Flores com a chapa gravada por Marcos Blau, Patricia Ogata e Carol Vergotti para o artista e mestre Claudio Mubarac na ECA-USP. © Atelier Estrela Brasil Oriente

Onde fazer fotogravura?

Procure o Atelier Estrela Brasil Oriente (Marcos Blau e Patricia Ogata) eles costumam oferecer cursos no SESC Pompéia.

Indicações bibliográficas:

http://www.getty.edu/conservation/publications_resources/pdf_publications/pdf/atlas_photograv ure.pdf

The Keepers of Light: A History and Working Guide to Early Photographic Processes William Crawford
1979

The Book of Alternative Photographic Processes Christopher James
2° edição ­ 2008
3° edição – 2015

Photogravure: A Process Handbook

Gary Kolb
Southern Illinois University Press; 1a edição (1986)

Copper Plate Photogravure: Demystifying the Process

David Morrish, Marlene MacCallum Focal Press; 1a edição (2003)

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